Entrevista sobre Inovação

Por Irani Cavagnoli

Abaixo apresento minha entrevista realizada pelo jornalista João Humberto Azevedo  da RBA – Revista Brasileira de Administração, sobre Inovação

1 – Para o senhor qual o significado da palavra inovação? Como pode ser aplicada nas organizações (publicas ou privadas), quais os princípios da inovação?

Para ilustrar a quantidade de definições da palavra inovação, realizei uma pesquisa rápida no Google e obtive aproximadamente 73.300.000 resultados com a palavras-chave: “define innovation”. O que importa é como cada organização define o conceito e o tipo de inovação para os seus negócios.

O Manual de Oslo, elaborado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico – OCDE, na sua terceira edição, define a inovação como a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas.

Do ponto de vista empresarial, inovação é a exploração de novas idéias para melhorar os negócios, criando vantagens competitivas e gerando crescimento sustentável da empresa no mercado.

O conceito de “crescimento sustentável” significa crescimento continuo da empresa, sem prejudicar seus aspectos financeiros e econômicos. Implica na adoção de uma estratégia de longo prazo (visão estratégica), compatibilizando os interesses de todas as partes interessadas (clientes internos e externos, proprietários, fornecedores, etc.) e com foco na sustentabilidade econômica, social, ambiental e cultural.

2 – Como pode ser aplicada nas organizações (públicas ou privadas):

As organizações dependem cada vez mais do desenvolvimento de suas competências inovadoras. Para tanto, deve ter como foco de atenção, entre outros, a cultura da empresa, a geração e captação de novas idéias, novos modelos de estrutura e o desenvolvimento e implementação de processos específicos voltados para a gestão integrada da inovação.

3 – Quais os princípios da inovação:

Por não dispor de todos os recursos necessários para viabilizar as oportunidades geradas, as organizações devem gerir a inovação por meio de um processo sistemático que facilite a seleção das melhores idéias com maior valor estratégico. Para atingir esse objetivo, a seguir serão resumidamente apresentados os princípios desse processo:

Gestão do conhecimento

É um processo articulado e intencional destinado a sustentar ou a promover o desempenho global de uma organização, tendo como base a criação e a circulação de conhecimento.

Gestão do processo de inovação

Atende à necessidade de pesquisar, formular, avaliar, desenvolver e promover uma idéia até sua transformação em resultado de valor.

Gestão de projetos (GP)

A GP está diretamente relacionada com o processo de inovação, que é complexo, devido à diversidade de eventos

Capacitação de equipes inovadoras

Diversos estudos mostram a importância da colaboração da força de trabalho de uma empresa no desenvolvimento das suas oportunidades de inovação.

4 – Existem tipos específicos de inovação?

Os quatro tipos de inovação (de produtos, de processos, de marketing e organizacional) descritos no Manual de Oslo tornam-se complementares, e suas fronteiras menos rígidas. A seguir são resumidamente descritos esses tipos:

Inovação em produto: É a implantação/comercialização de um produto/serviço  com características de desempenho aprimoradas, de modo a fornecer objetivamente ao consumidor serviços novos ou aprimorados.

Inovação em processo: É o desenvolvimento de novos métodos de produção, comercialização ou distribuição.

Inovação em marketing: Inovação em marketing é o desenvolvimento de novo método de marketing com mudanças significativas na concepção do produto/serviço ou em sua embalagem, no seu posicionamento, em sua promoção ou na fixação de preços.

Inovação organizacional: É o desenvolvimento de novo método organizacional ou de gestão nas práticas de negócio da empresa, na organização do trabalho ou em suas relações externas.

Além desses, incluo:

Inovação no modelo de negócio

A inovação no modelo de negócio está relacionada com mudanças estratégicas na empresa. Pode ser um modelo de negócio desenvolvido a partir do zero, como a criação do Google, ou a transformação radical do modelo original existente, como o da IBM.

5 – Por que a inovação é fundamental nas organizações modernas?

Promover a inovação tornou-se imprescindível para as empresas aumentarem sua competitividade.  Mais do que isso, o fator inovação é de extrema importância para o setor empresarial, sendo uma das alternativas para sustentar o seu crescimento e sua rentabilidade.

6 –  Qual a  relação entre a inovação e a sustentabilidade?

Não existe sustentabilidade sem inovação. Organizações preocupadas em criar valor a longo prazo devem implementar um certo nível de inovação para atender as pressões para serem mais sustentáveis. A sustentabilidade deve fazer parte da estratégia do negócio da organização como condição de sobrevivência a médio e longo prazo, considerando  as necessidades e impactos econômicos, sociais e ambientais de suas ações estratégicas.

7 – Quais as principais características inerentes ao conceito de inovação?

A organização inovadora tem determinadas características que podem ser agrupadas em duas categorias principais de competências:

  • Competências estratégicas: visão de longo prazo; capacidade de identificar e, até, antecipar tendências de mercado; disponibilidade e capacidade de coletar, processar e assimilar informações tecnológicas e econômicas.
  • Competências organizacionais: disposição para o risco e capacidade de gerenciá-lo; cooperação interna entre os vários departamentos operacionais; cooperação externa com consultorias; pesquisas de público, clientes e fornecedores; envolvimento de toda a organização no processo de mudança e investimento em recursos humanos.

8 – Schumpeter – considerado o pai da inovação como disciplina – descreve o processo de inovação como “destruição criadora”. O senhor poderia comentar esta afirmativa?

O conceito da “destruição criadora é fundamental para o entendimento do modelo capitalista de mercado. Segundo Schumpeter,  ela é o incentivo essencial que sustenta a evolução do sistema empresarial no modelo capitalista, resulta  da inovação focada no desenvolvimento de  novos produtos e serviços, novos processos e das novos modelos de negócio, gerados pelas organizações, que alteram estruturalmente  os mercados existentes ou criam novos.

9 – Por que a competitividade e a inovação estão estritamente ligadas?

Os desafios derivados do crescimento no ritmo das mudanças, da evolução tecnológica, da globalização e do incremento da concorrência causam, nas atividades diárias das empresas, maior complexidade na busca da competitividade e do seu crescimento sustentável.

Novas exigências de mercado tornaram essas estratégias tradicionais insuficientes para competir. A decisão de compra está, cada vez mais, fundamentada pela forma com que bens e serviços atendem às necessidades, cada vez mais diferenciadas, do consumidor.

A inovação e o aumento da competitividade estão, dessa forma, diretamente associados ao desempenho financeiro e ao sucesso da empresa. A diferenciação de produtos é essencial para a sobrevivência do negócio.

Nesse contexto, tornou-se imperativo para empresas de qualquer porte promover a inovação de forma rápida e sistemática, visando o aumento de sua competitividade e rentabilidade.

10 – O que deve fazer uma empresa para inovar e, consequentemente, aumentar sua competitividade?

Uma organização pode aumentar sua competitividade inserido em sua Estratégia o foco da inovação incremental ou radical. Inovação incremental – quando pequenas inovações resultam em alterações positivas nos produtos atualmente ofertados, nos processos existentes, no marketing etc., significando melhora no que se faz e/ou aperfeiçoamento do modo como se faz. Inovação radical – quando as inovações resultam em produtos, processos, estratégia de marketing etc., totalmente novos, que não existiam no mercado.

11 – Quais os fatores que podem inibir ou reduzir o processo de inovação em uma organização?

A seguir cito os principais inibidores do processo de inovação:

Inexistência de uma estratégia de inovação atrelada à estratégia geral da empresa

  • Nenhum ou pouco grau de envolvimento dos clientes e de outras partes interessadas, na busca de informações relativas às suas necessidades e aos seus desejos;
  • Resistência à mudança. Ausência de uma cultura que apóie a inovação;
  • Estruturação organizacional tradicional por funções, e não por processos
  • Capacitação inadequada de equipes envolvidas no processo de inovação;
  • Não ter um processo estruturado de gestão da inovação;

12 – Poderia citar exemplos de inovações bem sucedidas no Brasil e no exterior?

No exterior: Apple, Google, Toyota Motor, General Electric, Microsoft, Procter & Gamble, 3M,  Walt Disney, IBM, Sony.

No Brasil: Petrobras, Natura, Chemtech, Laboratório Cristália, Whirlpool, Laboratório Daichi Sankyo, Serasa, Embraer, Osklen.

13 –  os cursos/palestras sobre o tema inovação e sustentabilidade que o senhor ministra e como contatá-lo?

Como consultor empresarial nas área de Estratégia e Inovação, desenvolvendo palestras, workshops “in company”, Coaching Executivo e como facilitador de processo de planejamento estratégico com foco em inovação.

Contatos:

Pelo meu Site: www.cavagnoli.com/irani

Pelo meu e.mail.: iranicavagnoli@gmail.com

Sobre Irani Cavagnoli

Especialista pela PUC/SP e graduado em Administração de Empresas (USP). Atua em sua área de formação desde 1969, tendo ocupado cargos de destaque: foi CEO do SEBRAE/SP de 1989 a 1996, Diretor da Trevisan, Diretor do Grupo Strhal e As Américas e Gerente Financeiro do Grupo Henkel. Realizou diversos projetos como consultor da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Confederação Nacional do Comércio (CNC), CGEE - Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Federação do Comércio do Estado de São Paulo, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Federação das Indústrias do Estado do Paraná, e ACSP. Paralelamente, desenvolveu sua carreira como docente em Instituições de Ensino Superior e participando em MBA's da PUC/SP, FAAP, Escola Trevisan de Negócios, ESPM e Universidade Católica de Brasília. Foi Presidente da ABASE – Associação Brasileira dos SEBRAEs Estaduais e Conselheiro do SEBRAE Nacional, SENAC/SP, PUC-SP, CEVAL, ACSP e FIESP. Exerceu o cargo de Vice-Delegado e Diretor de Ensino Superior do Ministério de Educação e Cultura – MEC/SP. .
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