Desempenho vs Aprendizagem Organizacional

Competitiveness Forum de Pedro Janeiro
Quando falamos de cultural e eficiência organizacional, já reparou certamente que nem todas as organizações são iguais. Enquanto umas estão mais focadas no curto prazo (nas vendas, no cumprimento de objetivos, no incremento da margem operacional, etc) outras preferem focar-se no longo prazo (na criatividade, na inovação, no crescimento sustentado). A grande diferença entre o foco no curto e no longo prazo está ligada à atenção que os líderes e os gestores empregam à sua visão periférica.

Visão periférica é a capacidade que temos de observar um determinado ângulo de visão. Nalgumas pessoas a visão periférica é superior a outras. Conseguem ver um maior espaço pois têm um ângulo de visão superior. Já nas organizações, os líderes e gestores também têm a capacidade de visão periférica: os que olham para o curto prazo, têm um ângulo reduzido e focam-se no cumprimento de objetivos imediatos. Os que olham para o longo prazo, conseguem perceber as tendências do mercado, conseguem identificar e compreender as ameaças e oportunidades inerentes ao negócio mas não estão tão focados no cumprimentos dos objetivos como os primeiros.

Determinar ou alterar o nível de visão periférica é importante numa organização. As organizações que se concentram no curto prazo, são aquelas que privilegiam o desempenho organizacional, isto é, aquelas que tentam maximizar o lucro e minimizar os custos. Mas devido ao seu estreito foco, estão muito sujeitas ao impacto das ameaças de mercado. São por norma organizações reativas, tanto às investidas dos clientes como do aparecimento de diferentes tecnologias substitutas. A apetência para um maior desempenho organizacional pode ser inibidor do desempenho no longo prazo. Mas no curto prazo, os elevados índices de eficiência da organização pode traduzir maiores ganhos face aos concorrentes.

Já uma organização que privilegia a aprendizagem organizacional permite que os seus colaboradores possam ser mais criativos e é uma organização virada para a inovação e para o crescimento sustentado. A capacidade e preocupação em estudar o mercado e o futuro são dois vértices fundamentais para a estratégia competitiva destas organizações. No entanto, os ganhos no curto prazo podem ser inferiores, ou o foco no longo prazo pode ser de tal forma nefasto, que a organização “quase” se esquece de encarar o curto prazo, traduzindo-se isto em claras deficiências competitivas e comerciais que podem levar ao fim da organização.

O que será então o ideal? Bem, todas as organizações devem encarar tanto o curto como o longo prazo por vários motivos. Vimos que o foco tanto num como noutro tem vários prós e contras pelo que uma organização deve saber retirar o melhor partido de cada um. Se o objetivo de uma empresa é lucrar, os líderes também não se devem esquecer que a sua empresa deve também aprender a evoluir com o tempo. O foco no curto prazo ao permitir injetar cash-flow dentro da organização, permitirá também sustentar o foco no longo prazo, aumentado o ângulo de visão da organização e descobrindo assim novas oportunidades de negócio para serem concretizados no amanhã. Os líderes e gestores devem compreender que estas duas vertentes são de fato indissociáveis, pois trata-se da competitividade estratégica da organização que está em causa.

Sobre Irani Cavagnoli

Especialista pela PUC/SP e graduado em Administração de Empresas (USP). Atua em sua área de formação desde 1969, tendo ocupado cargos de destaque: foi CEO do SEBRAE/SP de 1989 a 1996, Diretor da Trevisan, Diretor do Grupo Strhal e As Américas e Gerente Financeiro do Grupo Henkel. Realizou diversos projetos como consultor da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Confederação Nacional do Comércio (CNC), CGEE - Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Federação do Comércio do Estado de São Paulo, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Federação das Indústrias do Estado do Paraná, e ACSP. Paralelamente, desenvolveu sua carreira como docente em Instituições de Ensino Superior e participando em MBA's da PUC/SP, FAAP, Escola Trevisan de Negócios, ESPM e Universidade Católica de Brasília. Foi Presidente da ABASE – Associação Brasileira dos SEBRAEs Estaduais e Conselheiro do SEBRAE Nacional, SENAC/SP, PUC-SP, CEVAL, ACSP e FIESP. Exerceu o cargo de Vice-Delegado e Diretor de Ensino Superior do Ministério de Educação e Cultura – MEC/SP. .
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